Objectivos

Os alunos serão capazes de compreender que:
1. As suposições podem levar aos estereótipos e a julgamentos injustos sobre pessoas ou grupos.
2. Os estereótipos e os preconceitos afectam as nossas vidas.

Materiais

Papel A4
Papel desdobrável e/ou papel A3
Marcadores
Outros materiais (papel de cenário, tesouras, fita cola, cola, revistas para recortar, etc.)
Folha de Actividades de Casa: Identificar Estereótipos na Comunicação Social

Procedimentos

1. 1º Dia

Comece por discutir com os alunos como as pessoas costumam habitualmente rotular e categorizar os outros quando os descrevem e como estes rótulos podem basear-se em características como a roupa, a aparência, a forma como a pessoa fala ou os grupos a que se pertence. Explique que categorizar as coisas ou as pessoas é uma tendência humana natural; contudo, as pessoas  fazem frequentemente suposições acerca de grupos de pessoas que nem sequer conhecem.
2. Peça à turma para pensar em categorias que são usadas na escola para definir grupos de pessoas. As categorias podem incluir nomes como “betos”, “marrões” ou “baldas”. Escreva no quadro cada categoria que o grupo for indicando e leve os alunos a ordenar a lista nas cinco maiores categorias.
3. Escreva estas cinco categorias em cinco papeis desdobráveis e distribua-os pela sala. Dê 10 a 15 minutos para que, em cada folha, se escrevam adjectivos relacionados com a categoria indicada nessa folha. Lembre que devem apenas adicionar novas descrições à lista.
4. Quando terminarem, peça para olharem para os adjectivos que a turma escreveu debaixo de cada grupo. Use as seguintes questões para provocar a discussão sobre o que eles fizeram:
  • As suposições referem-se a todos num grupo?
  • A maioria das pessoas defende as mesmas suposições sobre um grupo? Porquê?
  • As suposições dizem-nos algo definido sobre um dado tipo de pessoa?
  • Como é que as suposições afectam o seu comportamento em relação aos outros?
5. Peça agora aos alunos para ajudarem a definir a palavra “estereótipo”. Esclareça que quando fazemos suposições sobre um grupo de pessoas, essas suposições são entendidas como estereótipos. Quando as suposições e os estereótipos influenciam as nossas atitudes, podemos deparar-nos com uma grande dificuldade em fazer um julgamento justo sobre alguém ou alguma coisa. Esta influência no julgamento é chamada um “preconceito”.
6. Dê outra olhadela aos adjectivos e promova uma discussão à volta das seguintes questões: Será que estes adjectivos descrevem estereótipos? Como podem eles ser injustos ou prejudiciais?

7.

2º DIA
- Estereótipos Raciais

Comece por discutir os conceitos de raça e etnicidade. Escreva cada palavra no quadro ou num papel desdobrável e peça aos alunos para fazerem uma lista de atributos que definam os termos "raça" e "etnicidade". Guarde essas ideias. A seguir, peça aos alunos que indiquem os nomes de cinco grupos étnicos ou raciais diferentes.
8. Prepare cinco grandes folhas de papel. No topo de cada folha escreva o nome de um dos grupos que os alunos escreveram.
9. Divida a turma em cinco grupos e dê um marcador a cada aluno.
10. Dê a cada grupo uma das cinco folhas de papel. Peça-lhes que façam uma lista de tantos estereótipos quantos são normalmente usados para descrever a categoria de pessoas indicada no topo do papel. Dê aos alunos três minutos para completar o exercício. Sublinhe que os alunos devem escrever os estereótipos que costumam ouvir e não aqueles em que eles acreditam ser verdade.
11. Quando terminarem, troque as folhas pelos outros grupos, para que cada grupo trabalhe numa nova folha. Isso permite ir enriquecendo a lista de adjectivos. Vá trocando as folhas cada três minutos, até cada grupo ter trabalhado todas as folhas.
12. Coloque as folhas na sala de forma a que todos possam vê-las e dê cinco minutos aos alunos para as lerem.
13. Conclua a lição com uma discussão sobre o exercício, perguntando aos alunos o seguinte:
  • Como é que eles se sentem perante os estereótipos encontrados?
  • O que é que acha sobre a lista de estereótipos? Assegure-se que os alunos escreveram adjectivos "bons" e "maus", muitos estereótipos para diferentes grupos ou os mesmos estereótipos para grupos diferentes.
  • Onde é que viram estes estereótipos? Em programas de televisão, filmes, revistas, livros?
  • O que acha de alguém poder causar uma injustiça a outra pessoa por causa de um estereótipo?

14.

3º DIA
: Lidando com Preconceitos


Antes de iniciar a aula, distribua pela sala os 10 papeis com as suposições e estereótipos na escola e na sociedade.
15. Peça aos alunos para escreverem em 15-20 minutos uma experiência pessoal de um comportamento preconceituoso. Realce que não devem escrever os seus nomes. Eles podem partilhar uma experiência em que foram vítimas de um comportamento preconceituoso ou em que testemunharam essa tendência.
16. Incite a turma com o seguinte: “Pense numa situação em que alguém fez um julgamento preconceituoso sobre si ou actuou injustamente em relação a si por causa da sua idade, da cor da pele, do vestuário, do género, do modo de falar, do local onde vive, da situação económica da sua família ou qualquer outra razão.”
17. Peça aos alunos para se debruçarem sobre as seguintes questões antes de começarem a escrever:
  • Como sabia que estava a ser julgado injustamente?
  • Que palavras ou acções lhe foram dirigidas em termos de suposição ou estereótipos?
  • Porque acha que essas suposições foram feitas acerca de si?
  • Como é que se sentiu com a experiência?
  • Como acha que deveria ter sido tratado nessa situação?
18. Quando os alunos terminarem, recolha os trabalhos e traga-os para a frente da sala. Misture-os e devolva-os, assegurando-se que ninguém ficou com o trabalho que fez. Faça com que cada aluno leia a experiência pessoal do colega.
19. Proponha a criação de uma colagem que combine os cartazes dos dois primeiros dias, as experiências pessoais escritas e as imagens que representam, como se sentem as pessoas perante as suposições e os estereótipos. Para criar estas imagens forneça revistas, papel, tinta, marcadores, cola e tesouras.
20. Para trabalho de casa, reveja a Folha de Actividades de Casa: Identificando Estereótipos nos Media com a turma. Os alunos irão utilizar esta folha ao longo da formação para registarem os estereótipos de que se vão apercebendo na televisão, na publicidade ou nos filmes que vêem. Os alunos devem tomar nota dos nomes dos espectáculos, filmes ou produtos publicitários; o grupo a quem foram dirigidos os estereótipos; o tipo de estereótipo; e o que o aluno pensou ou sentiu ao ver o programa. Explique que este exercício pode não ser tão fácil como parece; muitos de nós estamos tão habituados a ver certos estereótipos que já não damos por eles. Encorage os alunos a procurar modelos ou padrões nas imagens que eles observam.

Ajustamentos

Os mais jovens podem não compreender ou não ter consciência da forma como os conceitos de raça e etnicidade funcionam na sociedade. Contudo, eles podem ser iniciados nos conceitos de categorização, criação de suposições e estereótipos, explorando tipos de preconceitos, numa actividade de um dia. Limite as categorias no exercício para “rapazes” e “raparigas” e discuta com os alunos uma lista de adjectivos que lhes venha à cabeça quando pensam num grupo qualquer. Trabalhe com os alunos a definição da palavra “suposição” e sugira exemplos de suposições para rapazes e raparigas a partir da lista criada pelos alunos. Os alunos devem participar num exercício livre que descreva uma experiência pessoal quando uma suposição tenha sido feita sobre eles por causa do género (masculino ou feminino).  Os alunos podem então criar uma colagem que combine as suposições criadas pelos alunos relativas ao género com as suas experiências pessoais, artigos dos jornais e recortes de revistas.

Questões a Discutir


1. O que são estereótipos e como é que eles afectam a vida das pessoas?


2. Que acontecimentos históricos foram influenciados por estereótipos e preconceitos?
3. Como é que as pessoas aprendem a criar estereótipos? E como devem “desaprendê-los” (permita-se-nos a expressão)?
4. Como pode a comunicação social (jornais, televisão, cinema) ajudar a reduzir os estereótipos?
5. Acha que há certos grupos que são mais propensos aos estereótipos do que outros? Se sim, porquê?
6. O que é que acha que uma pessoa pode fazer para ajudar a diminuir os preconceitos e os estereótipos?

Avaliação

Esta lição pretende afectar as atitudes e a receptividade a novas ideias que são adquiridas a partir do exterior, apesar de ser mensurável pelos métodos tradicionais de avaliação. Os professores devem procurar a anuência dos alunos em participar, a receptividade a novas ideias e o seu nível de empatia em relação aos objectivos dos preconceitos e da discriminação. É importante que os princípios básicos desta lição - liberdade de preconceitos e estereótipos e aceitação individuais - façam parte do ambiente escolar ao longo do ano. A mudança de atitudes à volta dos preconceitos requer um esforço permanente.

Extensões

Cronologia

Leve os alunos a criarem uma cronologia que mostre acontecimentos importantes nas histórias dos tradicionais grupos menos representativos. A linha do tempo pode ser criada numa folha de papel bem grande ou utilizando software, como por exemplo o TimeLiner. A pesquisa pode ser realizada utilizando enciclopédias, livros históricos e a Internet. Seguem alguns bons exemplos de locais a consultar: (no contexto americano, onde estas lições foram projectadas):

An African-American Chronology of Important Dates http://www.infoplease.com/spot/bhmtimeline.html

Asian American Experience In The U.S.: A Chronological History: 1763-1992http://www.askasia.org/image/maps/t000015.htm

Welcome to the Chinese American History Time Line http://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_American_history

Timeline for Native American History http://www.shmoop.com/native-american-history/timeline.html

A Short History of Immigration Laws http://www.crf-usa.org/immigration/lessons-1-and-2.html

Latino and Hispanic History http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_Hispanic_and_Latino_Americans

Sugestões de leitura

What Are You? Voices of Mixed-Race Young People
Pearl Fuyo Gaskins. Henry Holt and Company, 1999.
Society tries to define race, even if genetics can't. But even society has a hard time finding the right "niche" to put racially-mixed people into. The author interviewed eighty mixed-race teens about how they're treated by both halves of their heritage, and how they've shaped their own identity by either embracing society's view of who they are, or by trying to define themselves.

Us and Them: A History of Intolerance in America
Jim Carne. Oxford University Press, 1996.
From the days of the earliest European arrivals on our continent to the present day, prejudice and intolerance have played an ugly part in the lives of many of our country's citizens. This book takes a close look at more than a dozen examples of prejudice. A few are well-known, but most are smaller, more personal incidents that have never made the history textbooks. Maps, sidebars containing quotations from those who were there, and a wealth of photographs and illustrations bring the text to life.


Ligações

  Southern Poverty Law Center
An extensive collection of resources for teaching tolerance in the classroom

Southern Poverty Law Center
An extensive collection of resources for teaching tolerance in the classroom.

Museum of Tolerance Online Multimedia Learning Center
The The Simon Wiesenthal Center provides a wealth of resources examining racial prejudice.

Museum of Tolerance Online Multimedia Learning Center
The Simon Wiesenthal Center provides a wealth of resources examining racial prejudice.

U.S. Department of Justice: "Hateful Acts Hurt Kids"
Designed for children from the Department of Justice this web site offers great information geared for elementary school children, parents and teachers.


Vocabulário

(Na versão americana pode ouvir-se o vocabulário - em inglês - que se segue)

speaker    suposição
Definição: Uma ideia adquirida mas não necessariamente provada.
Contexto: Os não-asiáticos crêem que os asiáticos são inteligentes.

speaker    preconceito
Definição: Atitudes ou comportamentos baseados nos estereótipos das pessoas.
Contexto: Quando não referimos pessoas de cor nas nossas aulas de história, mostramos um preconceito que sugere que o seu contributo não é importante.

speaker    etnicidade
Definição: Uma categorização de pessoas de acordo com uma cultura comum, língua ou região geográfica.
Contexto: “Italiano” ou “irlandês” descrevem dois grupos étnicos distintos.

speaker    raça
Definição: Uma categorização de pessoas baseada em características biológicas comuns tais como cor da pele, textura do cabelo e forma dos olhos.
Contexto: Uma das funções do Census Americano é contar os cidadãos por raça, que é categorizada em Negro, Branco, Latino ou Nativo Americano.

speaker    estereótipo
DefiniçãoUma imagem generalizada de uma pessoa, criada sem ter em conta toda a pessoa; fazer disso uma generalização.
Contexto: Quando usamos um estereótipo de um grupo de pessoas, nós retratamos todos os indivíduos do mesmo grupo como tendo as mesmas características.


Créditos
Tara Brown-L’Bahy, educador anti-preconceito e Ph.D. candidato ao Harvard Graduate School of Education, Cambridge, Massachusetts.

Tradução e adaptação: José Manuel Ruas
(autorizada por Discovery School para o presente trabalho)


Início

 Consulte o original em:
http://discoveryeducation.com/teachers/free-lesson-plans/understanding-stereotypes.cfm